Gestão
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A maioria dos empresários acredita que colaboradores chegam desengajados, mas a realidade é mais dura: são as próprias empresas que criam o desengajamento através de um processo previsível de 4 etapas.
Mais um vendedor pede demissão. O terceiro este ano.
Na conversa de desligamento, ele diz que “não se adaptou à cultura da empresa” ou que “encontrou uma oportunidade melhor”. Você balança a cabeça, pensa em rotatividade, no custo de contratar e treinar alguém novo, e se pergunta: “Por que é tão difícil encontrar pessoas realmente engajadas?”.
A resposta pode incomodar: o problema não está nas pessoas que você contrata. O problema está no processo que as desengaja.
A verdade é que nenhum colaborador chega desmotivado ao trabalho. Eles são sistematicamente desengajados por uma jornada previsível, com etapas bem definidas, que a maioria das empresas aplica sem perceber.
Os dados da Gallup, maior autoridade mundial em engajamento, pintam um cenário alarmante para o Brasil:
Apenas 31% dos colaboradores estão realmente engajados. Isso significa que, a cada 10 pessoas na sua folha de pagamento, 7 não estão entregando o potencial máximo.
As consequências são matemáticas:
Traduzindo para sua realidade: cada funcionário desengajado é um buraco na sua produtividade, na sua margem e na sua capacidade de crescer.
O desengajamento não é um evento. É um processo que acontece em quatro etapas previsíveis:
O sintoma: Anúncios frios como “contratamos vendedor para cargo X, pagamos Y”.
O problema: Você atrai pessoas interessadas apenas na remuneração, criando uma base frágil para o relacionamento profissional.
A consequência: Quando a expectativa financeira não se confirma rapidamente, o desengajamento se instala automaticamente.
O sintoma: Processos seletivos focados em currículo e entrevista, com pouco teste prático.
O problema: O vendedor, que é mestre em se vender, “te leva no papo”. Você contrata a promessa, não a realidade.
A consequência: Uma “mentira múltipla” – o candidato mente que é perfeito, a empresa mente sobre crescimento fácil. Quando ambos descobrem a verdade, começa a frustração.
O sintoma: Integração que vira “missa de missão, visão e valores”, seguida de um “vai lá observar o melhor vendedor”.
O problema: O colaborador não recebe as ferramentas práticas para ter sucesso. Aprende “macetes” errados e até fofocas da empresa.
A consequência: Despreparo total para enfrentar os desafios reais do dia a dia.
O sintoma: No período de experiência, o colaborador “apanha dos quatro lados”: cliente (nãos constantes), chefe (cobrança sem suporte), família (pressão financeira) e dele mesmo (autossabotagem).
O problema: A resposta da empresa é aumentar a pressão, quando deveria ser aumentar a competência.
A consequência: Como diz o ditado, “a única coisa que cresce com pressão é pneu, e mesmo assim estoura”.
A boa notícia é que cada etapa da jornada do desengajamento tem um antídoto específico:
Substitua: “Contratamos vendedor, pagamos X”
Por: Employer branding que mostra cultura, bastidores e histórias de sucesso.
Ação prática: Publique conteúdo sobre comemorações, conquistas do time e ambiente de trabalho. Pessoas querem fazer parte de algo que funciona.
Substitua: Entrevista baseada em “papo”
Por: Testes práticos que avaliam conhecimento, habilidade e atitude (modelo C.H.A.)
Ação prática: Simule situações reais de venda, negocie objeções, avalie como a pessoa lida com pressão.
Substitua: “Missa” de missão, visão e valores
Por: Treinamento intensivo no método de vendas da empresa
Ação prática: Ensine técnicas específicas, pratique simulações, dê ferramentas reais antes de colocar para atender.
Substitua: Pressão sem suporte
Por: Treinamento contínuo e acompanhamento de competências
Ação prática: Transforme cada interação em oportunidade de desenvolvimento. Problema vira aprendizado.
Você tem duas opções:
Opção 1: Continuar culpando as pessoas e vivendo o ciclo eterno de contratar, treinar superficialmente, se frustrar e demitir.
Opção 2: Assumir que engajamento é resultado de um processo estruturado e investir na construção de uma jornada que transforma pessoas comuns em profissionais de alta performance.
A primeira opção é mais fácil no curto prazo, mas cara no longo. A segunda exige investimento inicial, mas constrói um ativo que valoriza com o tempo: um time que funciona.
Porque a verdade é simples: colaboradores não nascem desengajados. Eles são desengajados por processos falhos que podem ser corrigidos.A pergunta não é se você tem as pessoas certas. A pergunta é: você tem o processo certo para transformar qualquer pessoa na pessoa certa?
Na sessão estratégica, um especialista da Metta olha os números da sua operação, mostra onde o resultado está concentrado hoje e apresenta o caminho para a equipe superar a meta sem depender de você.
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